Wednesday, October 01, 2008

End of an Era

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Friday, August 22, 2008

Inner Peace



O cinzento principia a afastar-se, a névoa dissipa-se deixando-me adivinhar um mundo interior há muito esquecido, aninhado que estava no supérfluo ócio desta liberdade dormente e fustigada pela insegurança.

Tuesday, August 12, 2008

Norte

É o sono que se infiltra por todos os poros, esta decadência sentida e pintada através de tédios extenuantes, é o sublime acto do ser reduzido ao nada desta ociosa charada que nos propõe a nossa mente.


O Norte forte insta-nos a sonhar com impossibilidades reluzentes, dramas dormentes e sonhados através das pálpebras demasiado cansadas para sentir o aqui e o agora. É o Norte introspectivo e aceso, que nos procura serenar com o seu canto ancestral de recantos esquecidos pelo tempo, muralhas assentes em histórias e lendas, ruínas hoje, reflexo de uma podridão secular. Melodias atravessam ecos que perderam o seu rumo e atingem-me em cheio, no auge do meu cinzento imenso e clareiam-no por instantes irreais, pagos com um ser ludibriado e um esgar de ilusão. Nada aqui é tão real quanto isto, quanto esta impressão sincera de desilusão ao acordar aqui e agora, para me encontrar lamentando do supérfluo que são estas minhas ilusões, descrições nulas deste meu estado adormecido.

Tuesday, July 08, 2008

Stargazer

Sunday, June 22, 2008

Leva só mais uma lágrima, mais um crime apagado
Mais um canto sussurrado e uma faca por sangrar.
Leva esta carta por caminhos, que por mais desconhecidos
Sempre correram perdidos, por entre esta serra do olhar.


A calçada conta histórias, libertando gotas áureas de um orvalho citadino, libertino, evaporando de viés, por entre os passos dos traseuntes incautos, que sem pararem olham fartos dos mesmos matizes acinzentados das carantonhas que lhes mostram seu esgar. Incrédulos, seguem tontos por entre os traços de uma liberdade sonhada, tão forte quanto apagada que lhes sorri de desdém. É o contraste entre os trastes de uma guitarra rouca, esta música que se compõe de quotidiano e desilusões. É a chuva, o cinzento farto, o céu que sem aparato nos saúda com mais um tímido senão.
Não é mais que um sonho gasto, um pesadelo composto por entre gestos e olhares, de dias e dias que se repetem em mais uma cidade berrante de tão feia que é, de idiotias e críticas que me levam a encontrar-me de novo numa posição de apática inconsciência, de assombro e vontade de fugir, pois é tudo tão igual, eu sou tão igual, mediana, farta e entediante.
Sinal de fraqueza que me consome, o ócio. O ócio que me leva a focar nas letras o poder de uma mente só, de um sonho abandonado pela apatia imensa que é como uma enorme sombra que tudo apaga, tudo consome.
Por favor…

Monday, June 09, 2008

Mais cinzento?

Reduzida à minha humanidade. Confinada a esta insignificância, a este cordel de erros que se enrola às minhas mãos, pés, consciência... Aperta. O céu cai-nos em cima por mais um dia, uma semana, um mês. Cinzento de nada, de podridão e solidão. Sou um estereótipo como qualquer outro, um género-tipo a criticar. Lamento em demasia esta falta de cor solar, este oco sentido da vida, que não me é mais nada senão o ócio dos meus dias. Ócio vergonhoso, triste. Falta de vontade, culpa esmagadora.
Passo por mim e nem paro para dizer olá. Não me conheço, qualquer contacto aniquilado pela passagem do tempo. A melancolia exige-me a perfeição estudada, trabalhada, o esforço que não me responde. Cinzento. Cinzento. Cinzento! Levem-no... É insuportável, mastiga-me interminavelmente, roendo, cavando. A apatia é imensa, o sono também. Tenho medo... De ser demasiado pequena. Para o vencer...o cinzento.

Friday, May 16, 2008

Sinestesia


Perder as palavras para depois as encontrar caindo de um céu sem forma. Foram tantos os lugares...Não ouves o cheiro dessas velhas fotografias? Guardadas numa gaveta, de uma incómoda cómoda, longe de ti.


Consegues sentir este silêncio? Guardo-o só para te dizer que é bom ser aqui e agora. Ouves a caótica profusão de caminhos em choque na minha mente? Tento contar-tos através das mãos, mas tu não me olhas. O teu caminho segue bem longe, tão longe que é surdo o calcorrear dos teus passos através deste cego pensamento. Conto mentiras à chuva até que esta noite me saiba bem...Esboço-a através de uns poucos traços difusos, misturando-os, quebrando-os até que me doa a cabeça de tanto dormir.

Já o vento se cansou de soprar através destas frinchas... As nuvens deitam-se ao céu sem cor e perseguem-me com o seu cinzento pálido. Invasivo, passivo, o cinzento activo. O cinzento. Essa cor de nada. Do vazio.

Já a chuva se cansou de cair através de mim. Estou cansada. Durmo.